Financie seu Sonho e tenha acesso ao capital
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Introdução
Uma
empresa é um sonho do seu fundador. Ninguém começa um grande negócio sem ter
ambições, planos e vontade de mudar o mundo.
Para alcançar um crescimento acelerado, muitas vezes o empreendedor se
encontra com o dilema da falta de recursos essenciais. Que empreendedor nunca
pensou em ter recursos para trazer aqueles membros chave do time que a empresa
precisa para decolar? Quem nunca pensou em ter um orçamento consistente e
cuidadoso para investir no marketing da empresa e conquistar milhares de novos
clientes? Para ajudar empreendedores a lidar com estes desafios, preparamos
este guia, que ajuda o empreendedor a desmistificar a captação de recursos
externos e a entender melhor quem ele deve procurar quando chegar este momento.
Colocar
recursos externos pode realmente ser o combustível que falta para acelerar o
crescimento da sua empresa. Mas antes de tomar uma decisão importante como
esta, é preciso entender com clareza:
Como
funciona a captação de recursos externos?
•
Quais as principais fontes de recursos disponíveis?
•
Como se preparar para receber recursos?
•
Como aplicar estes recursos de forma eficiente?
•
Quanto devo captar?
•
Quais os custos associados a uma captação de recursos externos?
/Os
custos envolvidos no processo:
Segundo
o blog VentureBeat, e a experiência de dezenas de empreendedores, o processo de
captação de recursos pode ser desgastante. Preparar apresentações, agendar
dezenas de reuniões, finalizar um plano de negócios e dezenas de atividades de
follow up consomem recursos e podem tirar seu foco do dia a dia do seu negócio.
As empresas possuem recursos escassos e os principais funcionários envolvidos
no processo de captação podem fazer falta na gestão, no comercial, recrutamento
e várias outras áreas críticas para o sucesso. Além disso, este é um processo
que pode falhar (várias empresas tentam captar recursos e não conseguem) e que
leva tempo. Prepare-se para investir alguns meses se for captar recursos
externos e tome cuidado para não perder o foco.
/É
realmente a hora certa?
É
importante entender até onde sua empresa consegue chegar com os seus recursos
atuais. Nem sempre a captação de recursos externos é o melhor caminho. Se for
possível adiar o processo e conseguir caminhar mais longe com as próprias
pernas, pode ser um erro buscar recursos muito cedo. Uma startup ou uma empresa
que ainda não encontrou com clareza seu modelo de negócios deve tentar ir o
mais longe possível com seu próprio capital do que o capital externo, para não
correr riscos desnecessários e/ou não conseguir uma negociação pouco vantajosa.
Captar
recursos sem ter um produto pronto, clareza do seu tamanho de mercado, um plano
claro de retorno de investimento ou um entendimento do seu custo de aquisição
de clientes pode ser um grande problema e você pode não atingir as expectativas
dos seus investidores/fomentadores/credores. Pense nisso com cuidado antes de
prosseguir
//Pouco
entendimento da alocação dos recursos
Você
sabe com clareza onde vai investir os recursos adicionais? Faltam alguns
membros na sua equipe? É necessário investir em tecnologia ou marketing para
crescer? Se você não tem certeza de como o acesso a mais capital vai impactar
seu negócio, você ainda não está pronto para captar recursos externos. Analise
seus números e identifique as alavancas que vão mover seu crescimento antes de
começar o processo.
/Entendimento
de quanto custa o capital a ser
levantado
Você
sabe quanto vai ter que diluir sua participação na empresa ou o quanto você vai
ter que se endividar para conseguir aqueles recursos? Tem ideia de quanto vai
pagar de juros para conseguir captar os recursos necessários para o
crescimento? É necessário ter entendimento das diversas fontes de capital e
seus respectivos custos para que você consiga se preparar para uma captação de
recursos definitiva. Pesquise, converse com outros empreendedores, só não deixe
de se informar antes de começar uma captação.
//Alto
impacto ou pequena/média empresa
Você
está na sua zona de conforto? Quer ficar nela ou arriscar ter que sacrificar noites
e noites trabalhando no seu sonho? Tudo isso faz parte do empreendedorismo de
alto impacto e nesse caso o capital é necessário. Mas se você está confortável
com a velocidade de crescimento da sua empresa, ou não tem grandes ambições,
talvez possa ignorar recursos externos e seguir crescendo organicamente. Saiba
que vários fatores influenciam em uma captação de recursos, por isso você tem
que saber exatamente onde quer chegar e ter profundo conhecimento do seu
mercado.
Em
geral o prazo para captação de um investimento de capital de risco é de 6 a 9
meses. Este tipo de investimento não exige garantias financeiras. Leonardo
Simão, da Bebê Store, optou por este caminho. A empresa hoje tem mais de 200
funcionários e faz 30 mil pedidos por mês, um volume de crescimento enorme, a
uma velocidade muito grande. Essa velocidade foi proporcionada pelo capital
investido, afirma. “Após o investimento, tudo muda naturalmente. Você tem que
prestar contas, a contabilidade tem que estar organizada, tudo tem que estar
organizado.”, segundo o CEO da BebêStore. Sem esse capital a empresa teria
grandes dificuldades em concorrer no competitivo mercado de e-commerce para
bebês na Internet.
Capital
de risco
O
capital de risco é um tipo de investimento para ajudar empresas a expandirem e
alcançarem novos mercados. É um setor que se consolidou para o desenvolvimento
de pequenas e médias empresas, principalmente de base tecnológica. Os fundos de
investimento de capital de risco são entidades financeiras buscando participar
temporariamente na composição societária de empresas em períodos de alto
crescimento. O objetivo é ajudar a empresa a crescer para que posteriormente
ela seja adquirida por uma empresa maior ou abra seu capital em bolsas de
valores. Nesse caso, o chamado evento de liquidez, o investidor de capital de
risco busca recuperar seu investimento e ter lucro. O capital de risco pode ser
classificado entre capital semente (investimentos em empresas em estágio
inicial) e venture capital, (ou series A/B/C/ Growth investments) que são
focados em ajudar empresas consolidadas a escalarem sua participação de
mercado. Dentre as opções disponíveis, geralmente é o capital com custo mais
caro, afinal é vendida uma participação societária que pode se valorizar muito
com o tempo e podem ocorrer alterações na dinâmica de controle da empresa, que
podem afetar a liberdade do empreendedor
A
Lema21 é uma marca de óculos de grau que oferece pela Internet produtos de
qualidade, com design exclusivo. Foi fundada em 2012, após vencerem Alumni New
Venture Competition de Harvard, com o melhor business plan da América Latina.
Isso foi interessante pois abriram portas para o contato com possíveis
investidores.
Jonathan
Assayag, co-fundador da empresa, diz que eles decidiram seguir um sonho: criar
uma marca que iria revolucionar o mercado ótico, com um modelo disruptivo de
negócios. Para isso, eles precisavam de capital e procuraram investimento antes
de lançarem um protótipo ou uma marca.
Assayag
também diz que Investidores olham para dois pontos: tamanho de mercado e um
time qualificado. Para a
Lema21,
o mercado era vasto e o time complementar. As habilidades dele somadas às da
sócia, Naomi Arruda, cobrem as diversas áreas que a empresa contempla. Isso é
muito positivo para o negócio, segundo ele, pois cada um irá focar em seu papel
e não irá interferir no trabalho do outro.
Por
fim, ele cita o relacionamento da Lema21 com os seus 5 investidores-anjo, com
quem tem reuniões mensais, nas quais trocam ideias e experiências. Assayag considera
isso muito positivo, pois os investidores-anjo somam muito às decisões que eles
tomam na Lema21.
Os
investimentos de Private Equity são similares aos investimentos de capital de
risco, porém geralmente são feitos em empresas consolidadas e faturando dezenas
ou centenas de milhões de reais. O objetivo deste tipo de recursos é ajudar no
crescimento da empresa para uma possível abertura de capital em bolsas de
valores. O private equity também pode ser uma fonte de recursos para empresas
de capital aberto, visando alterações nas dinâmicas de controle, operacionais
e/ou saída e entrada de parceiros estratégicos. Este tipo de negociação demora
em média um ano para se concretizar e costuma ser extremamente complexo com
relação a governança e due dilligence das empresas.
Dívidas
Bancárias
As
dívidas bancárias são uma das maneiras mais conhecidas e difundidas de acesso a
capital. O funcionamento é bem conhecido: o banco te fornece um empréstimo para
ser pago em várias parcelas, acrescidos de juros. Para fornecer esse empréstimo
o banco faz uma análise de risco para saber o potencial da empresa em honrar
com suas dívidas. Existem atualmente centenas de linhas específicas de crédito
para empresas em expansão. Estas linhas geralmente requerem garantias das
empresas (patrimoniais e de fluxo de caixa) e são concedidas baseadas nos números
do negócio. Se a empresa consegue comprovar seu potencial de alavancagem e sua
capacidade de pagamento de juros, a dívida bancária pode ser uma boa opção. As principais
linhas de créditos para empresas neste estágio podem levar anos para serem construídas
com um banco e geralmente exigem uma grande abertura de dados da empresa para o
potencial credor. Se for obter recursos através de dívidas bancárias, certifique-se
que você cresce a uma velocidade maior que os juros assumidos. Outro ponto importante
a se considerar é que quanto mais garantias sua empresa puder oferecer, menores
juros você pagará.
Edivan
Costa fundou a SEDI em 1991. Ele atuava como despachante imobiliário e mantinha
a SEDI como empresa individual. E em apenas 5 anos, ele conseguiu fazer com que
ela crescesse e se tornasse uma especialista em Assessoria e Consultoria
empresarial no setor de Licenças Governamentais. Para alavancar esse
crescimento, Edivan precisou de um empréstimo de banco. Ele conta que para
conseguir esse empréstimo teve que aprender e entender como ele deveria se
preparar para a conversa que teria com o gerente do banco ao pleitear o
investimento. Edivan fala de uma frase que o marcou. “Pergunte ao gerente se
ele trata mal o pobre. Se ele disser que sim, responda que ele te tratará mal,
pois você está pobre agora. Mas que já sabe como sair dessa situação.” Edivan
deixa bem claro a necessidade de ter um planejamento bem traçado, com diversos
dados e fatos, como seu fluxo de caixa, suas despesas, suas expectativas de
ganhos e o projeto de como ele pretendia pagar o banco antes de contactar o
banco. Ele precisava chegar à reunião com tudo isso pronto. Então, trabalhou um
fim de semana inteiro, sem perder tempo, focado em deixar seu material pronto
para que o banco confiasse em seus planos e emprestasse o dinheiro que ele
precisava para alavancar a SEDI.
Dívida
de Fomento
Dívidas
fomento tendem a ser parecidas com as dívidas bancárias, porém com um prazo e
burocracia sensivelmente maiores que as do mercado privado. Estas linhas de
crédito especiais existem para impulsionar o desenvolvimento de empresas que
tenham potencial de trazer impactos positivos para a economia do país. Para se
conseguir acesso a uma dívida de fomento é necessário passar por aprovações e
burocracias muito mais rigorosas. Porém, existem muitas opções com juros bem
abaixo dos valores praticados no mercado privado, pois são parcialmente
subsidiadas pelo governo. São exemplos de linhas de dívida fomento a CIETEC e a
CRIATEC.
A
Magnamed é uma empresa fundada em 2005, por 3 engenheiros que desenvolveram um
projeto de simplificação da pneumática dos ventiladores pulmonares
(basicamente, os aparelhos que auxiliam na respiração de pacientes). O projeto
visava aumentar a confiabilidade, durabilidade e facilidade de fabricação e
manutenção do produto. Wataru Ueda, um dos 3 fundadores, conta que
desenvolveram um plano de negócio e enviaram para o CIETEC, uma incubadora
dentro da USP. Por dois anos desenvolveram o projeto e em 2008 conseguiram o
aporte de recursos através do CRIATEC, que usaram para o crescimento e
manutenção da empresa. Em 2011, conseguiram todos os registros e começaram a
comercialização do produto. Ele também deixa claro que para conquistar esses
recursos é necessário que você esteja dentro do temas abordados na epóca e
traga algo inovador para o mercado. Ueda acredita que esses são os principais
pontos analisados pelos órgãos financiadores de projetos.
Subvenção
Econômica
A
subvenção econômica é uma alocação de recursos do governo destinada a cobertura
dos déficits de inovação ao mercado privado. Basicamente o governo oferece, a
custo próximo de zero, recursos para que empresas privadas invistam em pesquisa
e desenvolvimento. É um instrumento político governamental utilizado em países
desenvolvidos, sempre em acordo com as normas da Organização Mundial do
Comércio. A primeira chamada de subvenção econômica no Brasil ocorreu em 2006.
Atualmente existem vários programas e os mesmos seguem o formato de editais. O
foco dos recursos é para investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O
processo é bastante burocrático e acompanhado de perto pelo governo, mas não
existe exigência de grandes garantias, oferecendo um custo de capital
baixíssimo.
Como
escolher uma fonte para captação de recursos?
Diversos
fatores influenciam na escolha da fonte de captação de recursos, por isso é
preciso entender bem sua empresa e as dinâmicas de mercado. Entre os mais
comuns, estão:
//Maturidade
da sua empresa:
Empresas
mais maduras são entendidas mais facilmente pelo investidor. Modelos inovadores,
menos provados e com menos tração tendem a ter menor aceitação pelo mercado de
capitais, por exemplo.
//Entendimento
do fluxo de caixa do negócio: Se o fluxo de caixa da sua empresa é previsível,
não muito sujeito a variações e o mercado está aceitando bem a empresa,
possivelmente você terá mais acesso à capital e um menor custo. Imprevisibilidade
e ausência de métricas claras, assim como sazonalidades de mercado, geram
insegurança em quem te forneceu o capital, seja um banco ou um investidor.
//Tendências
de mercado: os mercados são cíclicos e podem estar turbulentos em alguns
momentos. Entender a dinâmica do mercado é essencial para saber a hora de
captar recursos.
Tudo
certo? Sua empresa está decidida que buscar recursos externos é o melhor
caminho? Já escolheu a fonte de recursos que vai buscar? Chegou a hora de se
planejar e organizar todas as finanças da sua empresa, ter todos os números na
ponta do lápis e ter suas planilhas de modelagens de crescimento fixas na
memória. Para se preparar para esta captação, separamos algumas dicas de
preparativos para ter sucesso no processo. Confira abaixo algumas perguntas que
você vai ter que responder antes de sair do escritório para começar uma
captação:
Quando
a empresa pretende crescer e em quanto tempo?
Sim,
antes de captar, você tem que modelar cenários. Quanto sua empresa cresceria
sem os recursos? Ela continuaria crescendo em um ritmo legal? Lembre-se sempre
que o capital é o combustível do crescimento das empresas, mas em um mercado
consolidado é natural que as boas empresas cresçam organicamente anualmente.
Nunca pense na falta de capital como uma restrição e sim como uma oportunidade
de acelerar. Você vai precisar demonstrar para o mercado que o capital
simplesmente vai acelerar uma empresa campeã
Quais
recursos são necessários?
Se
você vai captar recursos, é preciso demonstrar a finalidade do capital. Como os
recursos serão utilizados? Sua empresa tem carência de capital de giro? Equipe?
Marketing? Tudo isso deve ser demonstrado no seu modelo para que fique claro
para o credor ou investidor onde você estará colocando os novos recursos na
empresa. Com essas informações você será capaz de determinar a quantidade de
capital a ser levantada e aumentará a chance de sua captação ser bem sucedida.
Quais
são os custos destes recursos?
Nada
vem fácil. É preciso, antes de sair para captar, saber exatamente quanto vai
custar a você cada real investido em sua empresa. Seja em ações, juros ou
garantias, é preciso dimensionar o quanto aquele dinheiro vai custar e mensurar
se isso justifica a captação. Se sua empresa vai crescer mais aceleradamente
com os recursos e você e seu investidor vão dividir um bolo maior, ótimo. Mas é
importante saber exatamente o tamanho do bolo que você está dando para o
investidor e garantir que os objetivos de ambos estão alinhados.
Em
que momentos esses custos devem ser desembolsados?
É
necessário também saber em que velocidade estes recursos serão dispendidos. Sua
captação leva sua empresa até quantos clientes? Quanto tempo você terá caixa
para captar? Ela é suficiente para você chegar aonde você planeja? Em que
momento do plano ocorrem grandes descapitalizações? Quanto tempo você imagina
que o dinheiro dessa captação irá durar?
O
que pode ser usado como garantia?
Saber
quais garantias você pode dar para o credor ou investidor é importante. Se você
está buscando capital de risco, é importante se familiarizar com conceitos mais
complexos como drag along & tag along, preferências de liquidação. Se você
está captando empréstimos, levante as possíveis garantias que você poderia
oferecer e utilize-as para abaixar os juros do seu empréstimo.
Qual
a fonte de capital adequada para recurso?
Cada
tipo de recurso tem sua particularidade e cada empresa é única. Entenda as
limitações e características do investimento que você está buscando para ter um
plano eficiente. Alguns exemplos a se considerar:
•
Uma empresa de tecnologia, com mercado ainda inseguro e um modelo não provado,
provavelmente possui maiores chances de levantar recursos de capital de risco
que uma dívida bancária, por exemplo.
•
Uma empresa que tem muitos contratos e recebíveis pode utilizar estes recursos
como garantia para conseguir aportes de capital com baixos juros da iniciativa
privada.
Uma
empresa de biotecnologia que investe muito em pesquisa e desenvolvimento tem o
perfil ideal para projetos de subvenção econômica, uma vez que muitos programas
se encaixam nessa linha.
//Até
aqui abordamos as principais fontes de capitais, como escolher que tipo de
capital buscar e como se preparar para uma captação. Agora é a hora de partir para
o ataque
Então
é isso! Após analisar com calma a situação de sua empresa e todas as
possibilidades de se ter aceso a capital você chegou à conclusão de que uma
entrada de dinheiro é o que falta para dar o próximo salto! Agora é só ir lá e
conseguir o dinheiro, certo? Bem, não é tão simples. Independente de qual
caminho você resolveu seguir, é sempre necessário se preparar para não cair em
armadilhas e aumentar suas chances de conseguir uma negociação favorável.
Cada
forma de captação possui suas particularidades, sendo que algumas necessitam de
preparação e esforços bem maiores, dependendo do risco envolvido para o
investidor. Um banco irá pedir muito menos garantias do que um investidor de
risco, por exemplo, afinal ele possui muito mais garantias de que irá receber
seu dinheiro de volta, incluindo juros. Se você já fez os preparativos que
sugerimos no último capitulo, é hora de botar para fazer e ir atrás do
dinheiro! Mas fique atento a todos os detalhes e riscos necessários para uma
boa captação.
Um empréstimo
pode ser uma solução rápida para se levantar capital, mas não deixe que isso
seja um motivo para você sair correndo e tentar conseguir o dinheiro o mais
rápido possível. Existem vários bancos e várias linhas de crédito disponíveis
no mercado, sendo que algumas podem ser bem mais vantajosas que outras.
A
primeira pergunta que deve ser feita é: a quais linhas de crédito eu tenho
acesso? Isso depende de vários fatores, como tamanho da empresa, mercado em que
ela opera, saúde financeira e o histórico de crédito que ela possui. Com essa
lista em mãos, é fácil saber quais são as modalidades de crédito mais
vantajosas e ir direto a elas. Veja algumas boas práticas para os tipos de
empréstimo mais comuns do mercado:
Empréstimos
Bancários
Um
empréstimo bancário possui duas características às quais todo empresário
precisa ficar bastante atento: o fato de ser um capital relativamente rápido de
se conseguir e a quantidade de bancos que estão no mercado. Ou seja, é
importante evitar a pressa para se conseguir o dinheiro, uma vez que há várias
opções de bancos disponíveis e uma pesquisa aprofundada é crucial para se
encontrar o melhor banco para o empréstimo.
Se
você se preparou bem para pedir o empréstimo já sabe o que pode oferecer como
garantia (quanto mais garantias, menores as taxas de juros) e como pretende
pagar as prestações. Faça uma planilha com todos os bancos com que irá falar e
coloque as condições que eles ofereceram de acordo com todas as informações que
você forneceu a eles. Somente após visitar todos os bancos e preencher essa
planilha é que uma decisão deve ser tomada. Não caia na armadilha de pegar o
empréstimo no seu banco atual só porque você tem uma boa relação com o gerente.
Apesar de isso ajudar, somente uma pesquisa completa te dará a resposta real da
melhor opção a ser tomada.
Linhas
de fomento e cartão BNDES
As
linhas de fomento são uma ótima maneira de se fugir dos altos juros que podem
incidir em empréstimos bancários, já que são linhas destinadas a impulsionar
algumas atividades de interesse do governo. Obviamente é um dinheiro mais
difícil de se conseguir e o processo é um pouco mais demorado, mas não deixe
isso te desanimar. No final das contas as taxas realmente valem a pena.
O
principal orgâo de Fomento é o BNDES, porém existem outras linhas de fomento de
órgãos como a Finep, Fapesp, e demais entidades estaduais. Fique atento aos
editais.
Existem
várias linhas de fomento disponíveis no BNDES, sendo que essas variam de acordo
com a necessidade de sua empresa, incluindo: capital de giro, aquisição de
máquinas, investimento em tecnologia, entre outros. Para você saber a qual
dessas linhas você tem acesso use o simulador Mais BNDES.
/Dentre
todas as soluções oferecidas pelo BNDES a mais simples de se obter (e usar) é o
Cartão BNDES, que funciona como um cartão de crédito. A vantagem do cartão
BNDES é que ele pode ser pedido de maneira “preventiva”, ou seja, é possível
ter o cartão mesmo sem a necessidade de se pegar um financiamento e usá-lo
quando necessário. O teto do cartão é de R$1 milhão, mas ele somente pode ser
usado em fornecedores cadastrados pelo banco.
Subvenção
Econômica requer atenção aos detalhes
Conseguir
capital através de subvenção econômica é uma tarefa burocrática, afinal, é um
investimento público que pode ou não ser reembolsável e o governo busca
garantir que está investindo bem o dinheiro do contribuinte. O primeiro passo
para se levantar dinheiro através de subvenção é acompanhar as chamadas
públicas feitas pelos órgãos governamentais como a Finep (veja as chamadas em aberto
nesse link). Esses órgãos sempre disponibilizam um edital com todas as regras a
serem seguidas, então é importante ler com calma para não perder sua chance por
causa de algum detalhe. A rigidez nesses processos costuma ser bem alta.
Quer
um investimento? O importante é organizar-se
A
presença do capital de risco no Brasil está em acelerado crescimento, com cada
vez mais fundos de VC (Venture Capital) presentes no Brasil e interessados em
investir em empresas de alto potencial de crescimento no país. Como já foi dito
anteriormente, esse tipo de investimento é o mais caro disponível pois o
investidor fica com uma parte da empresa, mas por outro lado o empreendedor não
se endivida no processo.
O
processo de levantamento de capital de risco é geralmente complicado e
demorado, é muito comum que um empreendedor fique mais de 6 meses em captação
(isso se ele realmente conseguir o investimento), o que toma bastante tempo e
paciência. Os investidores se tornarão sócios da empresa, afinal. Logo, é comum
que eles queiram conhecê-la a fundo e ter confiança de que estão entrando em um
bom negócio.
//Por
causa dessa complexidade é muito importante que seu processo de levantamento de
capital seja bem estruturado para aumentar suas chances de sucesso e também
evitar que se torne uma tarefa cara e que irá se arrastar por mais tempo do que
o necessário. Para te ajudar nesse processo, separamos alguns pontos cruciais a
serem observados!
Prepare
sua História
Como
você deve imaginar, investidores são pessoas muito ocupadas que recebem
centenas de apresentações de empresas interessas em conseguir um investimento.
Por esse motivo é muito importante que você consiga prender rapidamente a
atenção do investidor e para isso é importante que sua empresa conte uma boa
história.
Mas
o que é uma boa história? É óbvio que não estamos sugerindo que você conte,
literalmente, a história de como sua empresa nasceu e cresceu. Uma boa história
significa contar para o investidor a razão pela qual ele deve escolher você.
Essa história deve incluir:
• O
problema que sua empresa irá resolver
•
Tamanho do mercado
•
Sua solução
•
Seus números
•
Porque você (e seu time) são as pessoas
ideais para executar a ideia.
Com
essas informações feitas é hora de montar uma apresentação, chamada de Slide
Deck, e treinar várias e várias vezes até que você consiga apresentá-la de
olhos fechados. Além disso, com a sua história bem clara na sua cabeça, fica
muito mais fácil fazer seu Elevator Pitch, uma apresentação rápida e concisa da
sua empresa. Tente mantê-la com mais ou menos 30 segundos de duração, ou seja,
tempo suficiente para conseguir apresentar sua empresa caso você encontre com
um potencial investidor no elevador. E não basta só apresentar sua empresa, o
investidor precisa, através do pitch, sentir o sonho do empreendedor.
Faça
uma lista de investidores
Todo
empreendedor deve ter em mente que um investidor irá se tornar um sócio na
empresa e por isso deve ser escolhido com bastante cuidado. Dependendo do tipo
de investimento, maior é a participação do investidor nas atividades da
empresa. Enquanto um investidor anjo pode simplesmente te dar o dinheiro e
pedir algum feedback de vez em quando, um VC muito provavelmente terá
participação no conselho da empresa, pedirá relatórios frequentes, etc. Ao
buscar um investidor tenha em mente que essa será uma relação de longo prazo,
então é importante pesquisar bastante para saber quais investidores podem ser
uma boa escolha para sua empresa. Veja o histórico de investimento, converse
com outras empresas que já foram investidas, converse com pessoas do mercado,
etc. Faça com eles o mesmo que eles farão com você e aprenda o máximo possível.
Hora
de entrar em contato
Uma
vez selecionados, crie uma planilha com uma lista de todos os investidores e
informações relevantes sobre eles, como pessoa de contato, se já foi contactado
ou não, informações sobre o fundo, entre outras. É essa planilha que irá te
guiar durante o processo de contactar e se relacionar com cada um dos
investidores. Agora é o momento de entrar em contato com eles, mas não pense em
correr para o telefone ou para o seu email!
Nesse
estágio, o networking é rei! Veja na sua rede de contatos quem pode te
recomendar ou simplesmente apresentar a algum investidor. As chances de você
conseguir uma reunião assim é muito superior do que um email do nada.
Coloque
um prazo
Assim
que você começar a contactar os investidores irá notar que esse processo é
similar a um funil: de 50 contatos, 20 responderão, 10 farão uma reunião e 2 ou
3 irão se interessar pela sua empresa, por exemplo. Por causa disso é bom se manter
organizado e, mais importante ainda, colocar uma data final para sua captação,
senão esse processo pode se arrastar indefinidamente. A razão para isso ser
importante é porque muitas vezes investidores, mesmo interessados em seu
negócio, irão aguardar para ver como a empresa está andando e até onde ela vai,
o que diminui suas incertezas. Se não houver concorrência ou um prazo final,
isso pode durar um bom tempo. Quando seu prazo final chegar, os investidores
interessados irão ter que tomar uma decisão e, caso não haja nenhum, é um bom
momento para se considerar outras alternativas para a obtenção de capital.
Além
disso, saber se preparar bem para conseguir as melhores condições e também não
perder muito tempo e dinheiro no processo de levantamento de capital são
princípios importantíssimos para que você não atrapalhe o andamento de seu
negócio.


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