Logistica Reversa
Logística Reversa
1. A Importância do Gerenciamento
Logístico
Nos primórdios da história
humana, as mercadorias mais necessárias não eram produzidas perto dos lugares
onde seriam consumidas e também não estavam disponíveis nas épocas de maior
procura, essa realidade atualmente não é tão diferente, a produção de alimentos
e mercadorias estão localizadas em regiões mais distantes e, por vezes,
disponíveis em apenas algumas ocasiões do ano. A falta de sistemas
desenvolvidos de transporte e armazenamento limitava o movimento das
mercadorias àquilo que as pessoas conseguiam carregar com suas próprias forças.
Com o aperfeiçoamento dos sistemas logísticos, o consumo e a produção
experimentaram um distanciamento geográfico. Dessa forma, algumas regiões
puderam se especializar na produção de produtos específicos e no excedente vendido.
Em relação ao conceito e à
abrangência da Logística, assinale Verdadeiro ou Falso para as afirmativas a
seguir:
Questão 1
Texto da questão
1. A Logística
é definida como o processo de planejar, implementar e controlar de maneira
eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e
informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de
consumo.
·
Verdadeiro
·
Falso
2. Entende que
todos os processos logísticos devem ser tratados de forma organizada,
dependendo do local e do momento onde são executados sem levar em consideração
a geração de valor para o cliente.
·
Verdadeiro
·
Falso
3. Planeja,
opera e controla os fluxos reversos de diversas naturezas e articula com a
satisfação de diferentes interesses estratégicos.
·
VERDADEIRO
·
FALSO
4. Os
processos logísticos envolvem o armazenamento de matéria-prima dos materiais em
processamento e dos produtos acabados, percorrendo todo o fluxo iniciado desde
os fornecedores, passando pela etapa de fabricação, pelos varejistas, até
atingir o ponto principal de todo esse sistema: o consumidor final.
·
VERDADEIRO
·
FALSO
5. A Logística
Reversa é definida como:
·
Gerenciamento integrado de todos os processos de
produção, que começa no fornecimento de matéria-prima e se encerra na venda do
produto acabado.
·
A área da logística que planeja, opera e
controla os fluxos reversos de diversas naturezas e articula com a satisfação
de diferentes interesses estratégicos.
·
Processo de retorno de produtos que não
atenderam os requisitos de prazo, de responsabilidade exclusiva dos clientes.
·
Gestão dos fluxos logísticos usados para
providenciar a correta destinação dos desperdícios resultantes do processo
produtivo para a reciclagem.
6. O
gerenciamento logístico visa a integração das atividades da empresa, pois
considera-se que todas as atividades fazem parte de um processo único. A cadeia
de Logística Integrada está concentrada em algumas áreas de atuação. São elas:
·
Logística de Suprimentos, de Produção, de
Distribuição e Logística Reversa.
·
Logística de pós-venda e pós-consumo.
·
Canais de distribuição e canais reversos.
·
Canais de produção e pós-consumo.
Gabarito: v-f-f-f-b-a
Sobre os canais reversos citados,
assinale a opção correta:
a. São
aqueles que partem da origem ou de algum ponto de distribuição e chegam ao
consumidor..
b. São aqueles que partem do mercado consumidor ou de algum
ponto durante a cadeia de distribuição e retornam à origem.
A Logística Reversa é dividida em
duas áreas, que são:
a. Logística
reversa de bens de pré-venda e pré-consumo..
b. Logística reversa de pós-venda e pós-consumo.
Complete
a frase abaixo com a opção correta:
O foco de estudo da Logística
Reversa é
a. como
descartar um produto sem interesse no seu reuso..
b. a busca do retorno dos bens ao ciclo produtivo.
Logística Reversa dos bens de
pós-consumo e pós-venda
Atualmente, há uma tendência
clara à descartabilidade dos bens, segundo Leite (2017), esse movimento foi
ampliado principalmente após a Segunda Guerra Mundial, o acelerado
desenvolvimento vivido na segunda metade do último século permitiu a introdução
constante e com velocidade crescente de novas tecnologias e materiais que
contribuíram para a melhoria do desempenho técnico, a redução de preços e dos
ciclos de vida útil de grande parte dos bens de consumo duráveis e
semiduráveis.
O ritmo acelerado de novas
invenções permite a diferenciação dos produtos, em oposição à padronização
característica dos primeiros momentos de industrialização, entretanto, reduz o
ciclo de vida dos produtos, como consequência do alto nível de obsolescência
dos produtos, esses fatores acentuam a tendência de aumento à descartabilidade.
Leite (2017) acrescenta que o
rápido barateamento dos materiais plásticos reduziu seus custos em relação aos
metais tradicionalmente usados na produção dos inúmeros componentes, em alguns
casos até superando esses componentes metálicos no desempenho e flexibilidade
de conformação industrial dos produtos.
Na eletrônica destaca-se, a
tecnologia de miniaturização e a diversificação de softwares em diversos campos
de atividade. A descartabilidade virou uma tendência ainda mais forte na virada
do século XX para o XXI, eletrodomésticos, automóveis, computadores, embalagens
e equipamentos de telecomunicações tem seu ciclo de vida cada vez mais curtos.
A LR tem papel progressivamente mais relevante para tratar os valores residuais
dos bens após a obsolescência, que pode ser resultado de fatores como moda,
status ou tecnologia.
De acordo com Costa, Mendonça e
Souza (2017), o fluxo dos produtos e materiais seguem, num primeiro momento, os
chamados canais de distribuição diretos. Já os canais de distribuição reversos
são aqueles que partem do mercado consumidor, ou de algum ponto durante a
cadeia de distribuição, à origem. Mesmo com o importante papel da LR, um grupo
de resíduos ainda resulta dos processos industriais.
Guarnieri (2013) divide as áreas
de atuação da LR em duas: Logística Reversa de pós-venda e Logística Reversa de
pós-consumo. A primeira área pode ser entendida como a parte da LR que trata do
planejamento, controle e destinação dos bens sem uso ou com pouco uso que
retornam à cadeia de distribuição por diversos motivos, dentre eles, devoluções
por problemas de garantia, avarias no transporte, excesso de estoques e prazo
de validade expirado.
A Logística Reversa de
pós-consumo pode ser vista como a área da LR que cuida dos bens no final de sua
vida útil, dos bens usados com chances de reutilização e os resíduos industriais.
A essência dos processos de LR depende do material e motivo pelo qual entrou no
sistema reverso. Normalmente, os produtos retornam por causa de uma necessidade
de reparo, reciclagem, descarte ou simplesmente por causa da devolução dos
clientes.
A necessidade da separação entre
logística reversa de pós-consumo e pós-venda está relacionada às diferentes
destinações dos resíduos originários de cada uma dessas áreas por exemplo, os
bens de pós-consumo podem ter como destino final a incineração ou aterros
sanitários, ou retornam ao ciclo produtivo através do desmanche, reciclagem ou
reuso. Os bens de pós-venda retornam às empresas para o reaproveitamento de
componentes e peças ou serem vendidos no mercado de usados.
Questão 1
Uma análise cuidadosa dos canais
reversos deve ser realizada para a destinação mais adequada e revalorização dos
resíduos ou produtos de pós-consumo e pós-venda. Marque a opção que traz a
definição do canal conhecido como manufatura reversa, desmanche ou canibalismo.
Escolha uma opção:
·
Através desse canal de revalorização, o uso de
um produto ou de seu componente são estendidos com a mesma função que foi
atribuída quando criado, sem nenhuma manufatura.
·
Esse sistema de revalorização consiste na separação
das diversas partes que compõe um produto. Os componentes desmontados são
analisados para determinar quais serão usados para remanufatura, utilizados
diretamente na fabricação de produtos novos ou reciclados.
·
Canal reverso de revalorização trata do
reaproveitamento de materiais constituintes dos produtos descartados.
·
O objetivo desse canal é reduzir os resíduos a
cinzas, diminuindo o volume e o perigo.
Questão 2
Marque a opção que completa a
frase corretamente a seguir.
__________ é o canal reverso que
trata do reaproveitamento de componentes constituintes dos produtos descartados
nos processos industriais, esses materiais transformam-se em matérias-primas
secundárias na fabricação de produtos novos. O __________ representa a
recuperação de materiais em produtos com maior valor ambiental e de melhor
qualidade ou maior valor agregado, como por exemplo, lonas usadas de caminhão
para fabricação de bolsas. Enquanto o processo de __________ existe quando se
recupera um material para reuso em outro de menor valor.
Escolha uma
opção:
A. Reciclagem
industrial; upcyclin; downcycling
B.Reuso;
remanufatura; reciclagem industrial
C.Manufatura
reversa; reuso; remanufatura
D.Downcycling;
upcycling; reciclagem industrial
Questão 3
A tendência da inclusão da
responsabilidade social na estratégia das organizações é crescente, isso ocorre
por causa da mudança das relações entre os consumidores e as empresas. Nesse
novo cenário, é levado em consideração a postura ética das organizações e
atuação social e ambientalmente sustentável. Dessa forma, marque a opção que
contenha o instrumento socioambiental que visa integrar aspectos ambientais no
desenvolvimento dos produtos.
Escolha uma opção:
a. Sistema
de Gestão Ambiental (SGA)
b. Ecodesign.
c. Normas
ISO 14000.
d. Marketing
verde.
Questão 4
Esse bem retorna à cadeia de
distribuição por motivos como avarias no transporte, excesso de estoques e
problemas na garantia. Nesse contexto, o
tipo de bem que retorna à cadeia de distribuição por estar sem ou com pouco uso
são os Bens de:
Escolha uma opção:
a. pós-venda.
b. reuso.
c. revenda.
d. pós-consumo.
Questão 5
A rentabilidade é fundamental
para a existência da cadeia reversa em sua forma plena, caso contrário os
fluxos reversos não atingirão seu potencial e ficarão restritos a poucas
quantidades e ao espaço geográfico regional. Para induzir os efeitos pretendidos,
algumas ações devem ser tomadas, levando em consideração os seguintes fatores:
Escolha uma opção:
a. ecológicos,
fatores executivos e de marca.
b. executivos,
fatores de imagem e fatores legislativos.
c. ecológicos,
fatores de imagem corporativa ou de marca e fatores legislativos.
d. legislativos,
fatores corporativos e fatores de marca.
Gabarito: b-a-b-a-c
Exercício
Assinale a opção correta:
1. De
acordo com a norma da ABNT 10.004, os resíduos perigosos são aqueles que
apresentam:
a. insalubridade,
ou seja, for um oxidante, definido como substância que pode liberar oxigênio e,
como resultado, estimular a combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro
material.
b. periculosidade, ou seja, resíduo que, em função de suas
propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas, podem representar risco à
saúde pública e ao meio ambiente.
2. As
características de Periculosidade são:
a. Instabilidade.
b. Corrosividade.
c. Toxicidade
.
d. Inflamabilidade
Aspectos Legais e a Logística
Reversa
A legislação vigente é um fator
essencial a ser considerado, além de ser um instrumento organizador dos canais
reversos, a legislação pode tanto inibir, quanto impulsionar os fluxos
reversos. O aumento populacional e do consumo de produtos com ciclo de vida
cada vez menor levou a geração crescente de lixo, nesse cenário, cada vez mais
as leis estão sendo elaboradas para reduzir a produção de produtos nocivos ao
meio ambiente.
Levando em consideração que o
aumento da consciência social ambiental resultou numa maior pressão, tudo isso
acarretou na necessidade de legislações mais específicas que tratam das
responsabilidades das empresas envolvidas com a fabricação, distribuição e
comercialização dos produtos. Em 2010, o Brasil obteve uma conquista notável no
âmbito da gestão dos resíduos sólidos, após anos de tramitação foi sancionada a
Lei nº 12.305 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
De acordo Torres e Borger (2014)
muitos produtos, principalmente os eletroeletrônicos, possuem componentes
feitos com metais pesados e substâncias tóxicas que em contato com o ser humano
podem causar males a saúde como doenças de pele, do sistema nervoso e sanguíneo
e alguns tipos de câncer, além de provocar a contaminação do solo e da
atmosfera, esses compostos afetam os ecossistemas e causam desequilíbrios
biológicos, a PNRS surge para nortear o descarte seguro dos resíduos.
Aspectos Legais e a Logística
Reversa
1.1. A Política Nacional de
Resíduos Sólidos
A lei nº 12.305/10 instituiu a
PNRS e nela estão reunidos os princípios, instrumentos, diretrizes, metas e
ações que devem ser adotadas pelo Governo Federal, Estados, Distrito Federal,
Município e particulares visando a gestão integrada e ao gerenciamento
ambientalmente adequado dos resíduos sólidos.
Leite (2017) destaca que embora
existam diversas legislações específicas no Brasil, a aprovação do PNRS foi um
grande marco legislativo no país. Em linhas gerais essa legislação trata das
diretrizes gerais que envolvem os diversos aspectos do retorno de resíduos
sólidos, com a finalidade de garantir processos possíveis por parte dos
diversos agentes das cadeias diretas e reversas envolvidas com cada tipo ou
categoria de produto.
A PNRS tem como alguns princípios
a prevenção e precaução, a visão sistêmica na gestão dos resíduos sólidos, o
desenvolvimento sustentável, a ecoeficiência, cooperação entre as diferentes
esferas de governo, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos, respeito à diversidade local e regional.
Como objetivos da PNRS estão
estabelecidos a proteção da saúde pública, qualidade ambiental, estímulo a
adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo, incentivo à indústria de
reciclagem, gestão integrada de resíduos, dentre outros. A Lei nº 12.305/10
apresenta diversos conceitos, dentre eles o de resíduo sólido, no art. 3º,
inciso XVI:
[...] material, substância,
objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se
procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido
ou semissólido, bem como gases
contidos em recipientes e líquidos cuja
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos
ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente
inviáveis em face da melhor tecnologia
disponível.
A Lei nº 12.305/2010 traz como
instrumentos da PNRS os planos e inventários de resíduos sólidos, a coleta
seletiva, a Logística Reversa, incentivos à criação de cooperativas, a pesquisa
científica, educação ambiental, dentre outros. Já o Decreto nº 7.404/10, que
regulamenta a Lei nº 12.305/2010, apresenta como instrumentos econômicos os
incentivos fiscais, creditícios e cessão de terrenos públicos para fomentar as
iniciativas previstas pelo PNRS.
Segundo Freires e Pinheiro
(2013), a legislação sobre a gestão dos resíduos sólidos representa um marco
para o tema no país e integra a Política Nacional do Meio Ambiente, para ser
executada a PNRS articula-se com a Política Federal de Saneamento Básico, a Política
Nacional de Educação Ambiental, a Lei de Consórcios e com as Políticas
Nacionais de Recursos Hídricos, de Saúde, Urbana, Industrial, Tecnológica e de
Comércio Exterior, como pode ser observado pela figura acima.
A PNRS dedica especial atenção à
LR, destacando que a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos é
compartilhada por todos: fabricantes, importadores, distribuidores,
comerciantes, consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza
urbana. A Lei nº 12.305/2010, no seu artigo 33, obriga a estruturação e
implementação da logística reversa, de forma independente do serviço público de
limpeza pública aos seguintes fabricantes, importadores, distribuidores e
comerciantes:
I. Agrotóxicos, seus resíduos e
embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua
resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos
previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do
SISNAMA, do SNVS e do SUASA, ou em normas técnicas;
II. Pilhas e baterias;
III. Pneus;
IV. Óleos lubrificantes, seus
resíduos e embalagens;
V. Lâmpadas fluorescentes, de
vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; VI. Produtos eletroeletrônicos e seus
componentes.
De acordo com Leite (2017), uma
das críticas à PNRS é a restrição da legislação a alguns produtos, pois alguns
desses produtos já possuíam leis específicas e cadeias reversas estruturadas,
dessa forma, a oportunidade de integrar outros produtos com cadeias reversas
menos eficientes foi perdida. Contudo, através das leis, os fluxos reversos que
poderiam ser um problema, transformam-se em oportunidade de ganhos para a
empresa quando a logística reversa é feita de forma planejada.
Aspectos Legais e a Logística Reversa
1.2. Resíduos perigosos
O processo de LR está concentrado
nos resíduos nos quais existe valor a ser recuperado. Os resíduos sólidos
demandam uma gestão adequada para atenuar o impacto ao meio ambiente e os
fluxos reversos são aplicados para evitar que determinado resíduo perigoso
tenha um destino final inadequado ao ambiente.
De acordo com a norma da ABNT
10.004, os resíduos perigosos são aqueles que apresentam periculosidade, ou
seja, resíduo que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou
infectocontagiosas, podem representar risco à saúde pública e ao meio ambiente.
Nessa mesma norma os resíduos perigosos são classificados de acordo com suas
características de periculosidade, como resumida no Quadro 4, a seguir.
A Lei nº 12.305 norteia as
diretrizes para a administração dos resíduos perigosos, nela há a exigência da
autorização ou licenciamento pelas autoridades competentes para a instalação e
o funcionamento de empreendimento ou atividade que gere ou opere com resíduos
perigosos, além da necessidade de comprovação pelo responsável da capacidade
técnica, econômica e de condições para prover os cuidados necessários ao
gerenciamento desses resíduos. A seguir, a Figura 10 mostra algumas placas com
o indicativo de produtos perigosos.
Aspectos Legais e a Logística
Reversa
1.3. Plano Estadual de Gestão dos
Resíduos Sólidos do Maranhão
A lei que instituiu a PNRS
estabeleceu que, a elaboração de plano estadual de resíduos sólidos é condição
para os Estados terem acessos a recursos da União, ou por ela controlados,
destinados a empreendimentos e serviços relacionados à gestão de resíduos
sólidos, ou para serem beneficiados por incentivos ou financiamentos de
entidades federais de crédito ou fomento para tal finalidade.
O Plano Estadual de Gestão dos Resíduos
Sólidos do Maranhão (PEGRS/MA) foi o documento elaborado para atender à
exigência e a metodologia proposta pela PNRS. O PEGRS/MA é um instrumento
estratégico para o efetivo manejo dos resíduos sólidos gerados no Estado, e
onde estão previstas diretrizes, estratégias, metas para a não geração,
redução, reutilização, reciclagem, eliminação de lixões, recuperação de áreas
por eles degradadas e o aproveitamento energético.
Em relação aos resíduos sólidos, o PEGRS/MA
apresenta como diretriz a manutenção dos patamares de geração de resíduos
sólidos urbanos, tomando-se por referência o ano de 2010, que segundo o IBGE
equivale a uma taxa média de 0,98 kg/habitante x dia, com posterior redução. As
estratégias a serem aplicadas para alcançar os objetivos vão desde a promoção
do varejo e consumo sustentáveis, ao incentivo à redução, reutilização,
reciclagem de resíduos sólidos, estímulo ao desenvolvimento de inovações
tecnológicas e de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados à melhoria
dos processos produtivos.
Outro objetivo do Plano Estadual
é fortalecer a Gestão dos serviços públicos de limpeza e de manejo de resíduos
sólidos urbanos. Entre as políticas públicas de apoio à PNRS destaca-se a
educação ambiental por ser um processo de sensibilização e mobilização capaz de
transformar valores, comportamentos e atitudes dos vários segmentos da
sociedade no tocante à questão dos resíduos sólidos.
No Estado do Maranhão foi
elaborada a Lei nº 9.279, de 20 de outubro de 2010, que estabelece a Política e
o Sistema Estadual de Educação Ambiental, e, segundo o PEGRS/MA, se destaca no
cenário nacional por ser a primeira a prever um sistema e a futura criação de
um fundo estadual específico. Em relação aos catadores, o PEGRS/MA busca
incentivar a sua inclusão social através de ações como:
- O apoio na elaboração do
diagnóstico dos catadores no Estado do Maranhão;
- Fortalecimento das organizações
existentes;
- Fomento a criação de redes de
comercialização dos materiais recicláveis;
- Apoio à formação técnica dos
catadores;
- Apoio ao trabalho dos
carroceiros que atuam nos municípios maranhenses;
- Apoio a ações de divulgação do
trabalho dos catadores com os materiais recicláveis;
- Articulação do trabalho
conjunto dos catadores e os consórcios de resíduos e integração e articulação
de políticas e ações federais direcionadas para o catador.
O PEGRS/MA, assim como a PNRS,
dedica um espaço importante para tratar da logística reversa. Infelizmente, o
Diagnóstico Situacional dos resíduos sólidos mostra a carência no manejo e no
processamento para os resíduos, não havendo municípios com canais reversos para
o manejo de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes em 2008. No âmbito
estadual, os instrumentos legais da gestão dos resíduos sólidos, quanto a
Logística Reversa, são destacados no Quadro 5, a seguir:
Gestão Socioambiental e
Sustentabilidade
Por meio dos diversos meios de
comunicação, nota-se uma crescente tendência da inclusão da responsabilidade
social corporativa na estratégia das organizações. De acordo com Andrade e
Tachizawa (2012), os resultados econômicos passam a depender cada vez mais de
decisões empresariais que levem em conta elementos como a não contradição entre
lucratividade e a questão socioambiental, a sustentabilidade ou práticas
socioambientais.
Os consumidores estão modificando
as relações com as empresas, esse novo comportamento leva em consideração a
postura ética das organizações e a atuação social e ambientalmente sustentável.
Por isso, o uso de instrumentos socioambientais na gestão corporativa somado à
adoção da governança corporativa e de normas ISO/ABNT, tornaram-se essenciais
nesse novo cenário.
Como princípio da
responsabilidade socioambiental está o desenvolvimento de diálogos por parte
das organizações com todos os envolvidos no processo produtivo, essa
transparência e a adoção dos conceitos de responsabilidade socioambiental são
características da gestão contemporânea. As novas diretrizes e ferramentas de
gestão, assim como certificações socioambientais, tem por objetivo consolidar
os conceitos de responsabilidade socioambiental representados pelo Sistema de
Gestão Ambiental.
Gestão Socioambiental e
Sustentabilidade
2.1. Sistema de Gestão Ambiental
Segundo Nascimento (2012), um
Sistema de Gestão Ambiental (SGA), ou do inglês Environmental Management System
– (SEM), é definido como o conjunto de procedimentos que irão ajudar a
planejar, organizar, controlar e diminuir os impactos ambientais das
atividades, produtos e/ou serviços da organização. Através do diagnóstico
situacional, é realizado o planejamento das ações e o monitoramento das
atividades realizadas.
A adoção do SGA tem por objetivo
a identificação das vulnerabilidades nas organizações e a adoção de eventuais
medidas para a prevenção e correção. O alicerce do SGA é o cumprimento da
legislação ambiental vigente e a melhoria contínua dos processos
socioambientais adotados, dessa forma, não é suficiente estar dentro da lei, a adoção
desse sistema é uma decisão consciente da organização em melhorar cada vez mais
o seu desempenho em relação ao meio ambiente.
Um SGA eficaz possibilita às
organizações uma melhor condição de gerenciamento de seus impactos ambientais,
e também permite interagir na mudança de atitude e cultura na empresa. Além
disso, tem o potencial de alavancar os resultados financeiros, pois está
relacionado com a melhoria contínua de processos e serviços. (NASCIMENTO,
2012).
Gestão Socioambiental e
Sustentabilidade
2.2. Estratégias organizacionais
para o desenvolvimento sustentável
Andrade e Tachizawa (2012)
argumentam que as organizações estão cada vez mais sendo pressionadas quanto às
consequências ambientais, sociais e econômicas de suas atividades. A gestão
socioambiental deve ser reconhecida como uma das principais prioridades na
organização e fator determinante no desenvolvimento sustentável, estabelecendo
políticas, programas e procedimentos para conduzir as atividades de modo
ambientalmente seguro.
Gouvinhas (2013) defende que a preocupação com
relação aos aspectos de sustentabilidade chegou a tal ponto que as empresas
precisam avaliar o impacto gerado por seus processos e produtos ao longo de
todo o ciclo de vida. Algumas empresas já perceberam os benefícios de utilizar
uma gestão mais sustentável, através da adoção de práticas relacionadas à
proteção ambiental e a responsabilidade social.
Práticas como a busca de
eficiência energética, a destinação correta de peças e componentes para a
reciclagem, remanufatura e reutilização já são percebidas como estratégias
rentáveis pelas organizações, assim como o uso eficiente dos recursos naturais,
processos mais “limpos”, inovações no design e o desenvolvimento de produtos mais
eficientes.
Dessa forma, a sustentabilidade
começa a fazer parte do mundo corporativo e a compor novos valores para as
empresas, o resultado dessa nova maneira de administrar é a construção de uma
imagem sustentável que será essencial para que as organizações se tornem
realmente competitivas. Mas quais estratégias que podem ser usadas para alcançar
essa nova forma de gestão?
- Consumo sustentável e o
desenvolvimento de produtos
A história econômica mostra a
trajetória da humanidade, iniciando de uma sociedade voltada para atender sua
subsistência, para uma sociedade de consumo que emergiu da revolução
industrial. Nessa sociedade contemporânea a produção em massa dita o padrão de
consumo de produtos e serviços e define como se dará o crescimento econômico da
sociedade contemporânea.
De acordo com Gouvinhas (2013),
muitos dos problemas atuais estão relacionados com o padrão de consumo e de
produção, e estão associados às seguintes categorias ou combinações:
1 A filosofia de vida baseada na
“economia de escala” e na “produção em massa” tem dominado os negócios e
economia mundial. O consumo excessivo e a redução da vida útil dos produtos têm
como consequência a exploração exagerada dos recursos naturais e o aumento de
resíduos gerados;
2 Os bens são usados cada vez com
menos frequência, o consumismo acaba definindo as próprias pessoas na sociedade
atual;
3 Na cultura do uso descartável,
muitos produtos são projetados para ter vida útil reduzida, essa estratégia
estimula que o consumidor compre novos produtos em vez de repará-los.
Nesse contexto, o modelo de
produção em massa está em contradição com a visão ambientalmente correta,
assim, cria-se a necessidade de buscar alternativas para gerenciar os negócios
que contemplem novas estratégias de negócios e novas relações com os clientes,
evitando o descarte excessivo com consequentes danos ao meio ambiente.
- Marketing verde
Polonsky (2001, apud GOUVINHAS,
2013, p. 59) conceitua o marketing ambiental ou verde como todas as atividades
desenhadas para gerar e facilitar trocas, de forma a satisfazer os desejos e
necessidades humanas, resultando num impacto mínimo sobre o meio ambiente. O
marketing verde tem por finalidade orientar, educar e criar desejos e
necessidades nos consumidores sempre visando causar um menor impacto ambiental,
além de atingir os objetivos de comercialização das empresas.
- Ecodesign
O ecodesign ou design for
environment (DFE), é uma ferramenta que visa integrar aspectos ambientais no
desenvolvimento dos produtos e/ou serviços, esse instrumento está focado no
ciclo de vida do produto, desde a fase de desenvolvimento do projeto, pois são
levados em consideração os materiais usados na composição do bem, até chegar à
fase final da vida útil do bem e os processos necessários para o correto
descarte.
- Produção mais limpa
A Produção mais limpa (P+L) é uma
estratégia de produção que visa integrar a consciência ambiental aos processos,
produtos e serviços das organizações, maximizando a eficiência geral das
empresas. A P+L tem por princípio básico a eliminação, ou pelo menos a redução,
da geração de resíduos resultantes do processo produtivo, pois, esses resíduos
geram desperdícios de matéria-prima e insumos como água e energia, além da
possibilidade de penalizações, como multas, que vão impactar tanto a imagem das
empresas, quanto o seu aspecto monetário.
-
Normas ISO 14000
O conjunto de normas ISO são
padrões seguidos por diversas empresas nos 160 membros da Organização
Internacional para Padronização (ou do inglês, International Organization for
Standardization). As normas ISO 14000 são um conjunto de normas voltadas para
padronizar procedimentos que levem em consideração os princípios de conservação
ambiental no gerenciamento.
As normas ISO 14000 representam
todo um portfólio de padrões para lidar com os desafios socioambientais, esses
padrões englobam diversas áreas, desde sistemas de gerenciamento, comunicação,
auditorias, valorização de performance ambiental, além de tratar de normas para
o design, desenvolvimento e a mensuração dos poluentes na fabricação dos
produtos.
Planejamento Operacional da
Logística Reversa
Para iniciar qualquer projeto ou
negócio, a definição dos objetivos vem em primeiro lugar, ou seja, o
planejamento das atividades operacionais que permitiram alcançar as metas.
Para os objetivos se
transformarem em ações concretas, eles precisam ser transformados em planos que
norteiem as ações. De maneira geral, o planejamento é dividido em três níveis:
planejamento estratégico, tático e operacional. As questões estratégicas são
mais amplas e estão ligadas a longo prazo, como por exemplo, quais serão os
destinos dados aos resíduos retornados pela logística reversa, essa opção
continuará sendo viável a longo prazo? Já o planejamento tático está localizado
no segundo nível de planejamento, trata do médio prazo e visa alocar materiais
e mão de obra de forma eficiente, adequando o que foi planejado no nível
estratégico às ações do nível operacional, dessa forma, serão abordadas
questões como quantos transportadores são necessários para realizar as
atividades. O nível de planejamento operacional se relaciona com o curto prazo
e trata de questões mais imediatas como a definição dos responsáveis por cada
atividade.
Planejamento Operacional da
Logística Reversa
3.1. Planejamento operacional de
processos reversos
O planejamento operacional deve
resultar num programa de ações para os processos reversos, essas operações
devem ser formadas pelos planos de preparação e acondicionamento, de coleta e
transporte, de beneficiamento e de destinação final.
- Plano de preparação e
acondicionamento
Explicita os tipos e quantidades
de materiais a serem coletados nas fontes geradoras, esse plano define o
tratamento inicial a ser dado de acordo com o tipo de material coletado, além
da disposição física dos coletores, mas para isso, é preciso o conhecimento
detalhado do material.
- Plano de coleta e transporte
Neste plano são estabelecidos o
roteiro, a equipe, a frequência, o tipo de veículo e os procedimentos para a
coleta. É nessa etapa que se inicia de fato o fluxo reverso.
- Plano de beneficiamento
Se caracteriza pela fase de
planejamento das etapas do beneficiamento dos resíduos coletados, envolve as
escolhas entre as opções disponíveis para a transformação dos materiais para
agregar valor aos mesmos.
- Plano de destinação final
Nesse plano é determinado o
volume dos produtos beneficiados e dos rejeitos dos processos que serão
encaminhados aos seus destinos finais. Além da redução dos custos, as escolhas
devem ser tomadas baseadas no compromisso com o meio ambiente e a saúde
coletiva. É preciso destacar que a Lei nº 12.305 diferencia resíduo sólido e
rejeito, o primeiro é definido como material descartado resultante de
atividades humanas em sociedade, já rejeito é o resíduo sólido que esgotou
todas as possibilidades de tratamento e a única possibilidade é a disposição
final ambientalmente adequada.
RESUMO
Nesta Unidade, analisamos os
aspectos legais referentes à LR, a Política Nacional de Resíduos Sólidos que
trata das diretrizes gerais que envolvem o retorno de resíduos sólidos, além
disso, destacamos os resíduos perigosos, com suas características, e o Plano
Estadual de Gestão dos Resíduos Sólidos do Maranhão. Vimos que para atender às
novas exigências ambientais de mercado, foi criado um conjunto de procedimentos
para diminuir o impacto das atividades organizacionais ao meio ambiente. Vimos
também que o SGA conta com instrumentos como o marketing verde, o ecodesign, a
P+L limpa e as normas ISO 14000. Por fim, destacamos a importância da
implantação de um Planejamento Operacional na Logística Reversa.
Avaliação Final
1. A
sustentabilidade começa a fazer parte do mundo corporativo e a compor novos
valores para as empresas, o resultado dessa nova maneira de administrar é a
construção de uma imagem sustentável que será essencial para que as
organizações se tornem realmente competitivas. Dentre as estratégias citadas
abaixo, qual não é usada para alcançar essa nova forma de gestão?
a. Consumo
sustentável e o desenvolvimento de produtos.
b. Marketing
verde
c. Produção
consciente.
d. Ecodesign.
Complete as
lacunas com uma das opções abaixo:
2. Questão.
O tem por finalidade orientar, educar, criar
desejos e necessidades nos consumidores, sempre visando causar um menor impacto
ambiental, além de atingir os objetivos de comercialização das empresas.
3. Questão.
O é uma
ferramenta que visa integrar aspectos ambientais no desenvolvimento dos
produtos e/ou serviços, esse instrumento está focado no ciclo de vida do
produto, desde a fase de desenvolvimento do projeto, pois são levados em
consideração os materiais usados na composição do bem, até chegar à fase final
da vida útil deste e os processos necessários para o correto descarte.
4. Questão.
O planejamento operacional deve resultar num programa de ações para os
processos reversos, que devem ser formadas por planos. Marque a opção que traz
apenas planos resultantes do planejamento operacional de operações reversas.
A opção que
preenche corretamente a lacuna é:
a. Plano
de preparação e acondicionamento, plano de coleta e transporte, plano de reuso
e plano de reciclagem.
b. Plano
de coleta e transporte, plano de beneficiamento e plano de processos reversos.
c. Plano
de preparação e acondicionamento, plano de reciclagem, plano de destinação
final e plano de beneficiamento.
d. Plano
de preparação e acondicionamento, plano de coleta e transporte, plano de
beneficiamento e plano de destinação final.
5. Questão.
Para iniciar qualquer projeto ou negócio, a definição dos objetivos vem em
primeiro lugar, ou seja, o planejamento das atividades operacionais que
permitiram alcançar as metas. Para os objetivos se transformarem em ações
concretas, eles precisam ser transformados em planos que norteiem as ações. De
maneira geral, o planejamento é dividido em níveis que são os planejamentos:
Escolha uma
opção:
a. operacional
e estratégico somente.
b. estratégico,
tático e operacional somente.
c. tático
e operacional somente.
d. estratégico
e tático somente.
Gabarito: a- marketing verde –
ecodesign –d-b


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