Administração da Produção - Material para estudo
Conceitos iniciais
1. Tipos de recursos nas organizações
De forma geral, a existência de uma organização envolve
quatro ingredientes: indivíduos que fazem uso de recursos e coordenam suas
tarefas para que atinjam objetivos comuns, de acordo com o esquema abaixo:
Nunes (2008) nos apresenta um conceito de organização que,
além dos elementos citados acima, considera ainda a inserção em um determinado
contexto ou ambiente:
“Organização é um conjunto de duas ou mais pessoas que
realizam tarefas, seja em grupo, seja individualmente de forma coordenada e
controlada, atuando num determinado contexto ou ambiente, com vista a atingir
um objetivo predeterminado através da afetação eficaz de diversos meios e
recursos disponíveis, liderados ou não por alguém com as funções de planejar,
organizar, liderar e controlar”. (destaque nosso) O mote principal de nosso
curso recai, invariavelmente, sobre os recursos empregados pela organização.
Dessa forma, nossa primeira tarefa específica é nos familiarizarmos com o
conceito de recurso, bem como tomarmos ciência dos tipos de recursos passíveis
de serem empregados em uma organização.
Recursos são os meios empregados por uma organização para a
consecução de seus objetivos. São as ferramentas que servem de base para o
desempenho organizacional.
Logicamente, os recursos, por si só, não determinam como
será a atuação organizacional.
Nesse sentido, é de grande pertinência a argumentação de
Johnson, Scholes e Whittington (2011):
Esses recursos certamente são importantes, mas o que uma organização
faz – como ela emprega ou disponibiliza tais recursos – significa pelo menos
tanto quanto os recursos que possui. Não haveria razão em possuir equipamento
de ponta, conhecimento valioso ou marcas reconhecidas se não fossem utilizados
de modo eficaz. (JOHNSON; SCHOLES; WHITTINGTON, 2011, p. 83 – 84)
O modo de utilização dos recursos é mais intimamente
relacionado com as competências organizacionais, ou seja, o somatório de
conhecimentos, habilidades e atitudes que moldam o emprego e a disponibilização
dos recursos, norteando-se pelos objetivos a serem atingidos.
Em uma análise preliminar, os recursos podem ser divididos
em duas categorias, a saber:
• recursos tangíveis: são os bens físicos de uma
organização, tais como material de expediente, maquinário, material de limpeza
etc., e
• recursos intangíveis: são os bens imateriais, ou não
físicos, tais como conhecimento, patentes, logomarcas registradas, reputação no
mercado etc.
Em uma ótica mais acurada, uma categorização mais apurada dos recursos organizacionais
pode ser assim disposta:
Com base no esquema acima, é pertinente a seguinte
exposição:
• Recursos financeiros trata-se do capital ($) disponível,
bem como demais fontes de financiamento às atividades organizacionais. Em órgãos
públicos, os recursos financeiros são, em sua maioria, consignados na Lei
Orçamentária Anual;
• Recursos humanos referem-se ao somatório de competências
(conhecimentos, habilidades e atitudes) oriundos dos indivíduos que compõem os
esforços organizacionais;
• Capital intelectual refere-se aos recursos intangíveis
que agregam valor e que conferem vantagem competitiva à organização. Patentes,
bases de dados sobre clientes, conhecimento, experiência, reputação,
propriedade intelectual etc. são exemplos de recursos nesta categoria.
Nosso curso irá versar sobre a gestão dos recursos materiais
em uma organização. Definido esse escopo, o primeiro passo restringe-se na
apresentação do conceito de recurso material, apresentado na próxima seção.
2. Conceito de recursos materiais e patrimoniais
Uma definição sucinta de recurso material, em sentido amplo,
pode ser assim apresentada:
Recurso material, em sentido amplo, é todo o bem físico
(tangível) empregado em uma organização.
O Decreto nº 99.658/19902
, em seu art. 3º, vai além, arrolando alguns exemplos do que
seriam recursos materiais em órgãos públicos:
[Material é a] designação genérica de equipamentos,
componentes, sobressalentes, acessórios, veículos em geral, matérias-primas e
outros itens empregados ou passíveis de emprego nas atividades dos órgãos e
entidades públicas federais, independente de qualquer fator;
Para fins de gestão, os recursos materiais, em sentido
amplo, podem ainda ser classificados em duas subcategorias: os recursos
materiais em sentido estrito e os recursos patrimoniais, assim definidos:
Recurso material, em sentido estrito, é todo o bem físico
(tangível) empregado em uma organização que detém natureza não permanente. Em
geral, constituem-se em materiais que são consumidos ao longo do tempo,
constituindo-se, usualmente, bens de estoque.
Apesar de ser esta uma classificação contábil, o conceito de
recurso material, em sentido estrito, aproxima-se sobremaneira do inerente a
material de consumo.
Recurso patrimonial é todo o bem físico (tangível) empregado
em uma organização que detém natureza permanente. Em geral, os bens
patrimoniais podem ser de três tipos:
imóveis (prédios, terrenos etc.), instalações (uma central
de ar condicionado, por exemplo) e materiais permanentes (máquinas, móveis,
computadores etc.).
Uma vez delimitados os conceitos acima, estamos prontos para
abordar os objetivos da Administração de Recursos Materiais. É o que faremos a
seguir.
3. Objetivos da Gestão de Materiais em órgãos públicos
A Constituição Federal de 1988, no caput de seu art. 37,
torna explícito alguns princípios que devem nortear o funcionamento da
administração pública brasileira:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência (...)
Neste ponto, mostram-se importantes algumas observações:
• a observância dos princípios constitucionais relativos à
administração pública é obrigatória para todos os Poderes (Executivo,
Legislativo e Judiciário);
• os princípios listados no caput do artigo 37 da
Constituição Federal de 1988 são aplicáveis à administração pública direta e
indireta, e
• os princípios são válidos em todas as esferas de governo:
União, estados, Distrito Federal e municípios.
O Princípio da Eficiência – último entre os princípios que
regem a administração pública, conforme caput do artigo 37 da CF/88 – foi
acrescentado à Carta Magna pela Emenda Constitucional nº 19/19983
.
Vejamos o conceito do Princípio da Eficiência, nas palavras
de Moraes (2010):
“[...] o princípio da eficiência é aquele que impõe à
administração pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências
de forma imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia
e sempre em busca da qualidade, primando pela adoção dos critérios legais e
morais necessários para a melhor utilização possível dos recursos públicos, de
maneira a evitar-se desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social.”
Note que a busca pela melhor utilização possível dos
recursos públicos, conforme destacado acima, faz com que o Princípio da
Eficiência aproxime-se muito da noção de economicidade, ou seja, da consecução
do melhor custo X benefício no trabalho da administração pública, evitando-se o
desperdício do dinheiro público.
É exatamente nesse contexto que a Gestão de Materiais na
administração pública está inserida. Sendo materiais recursos públicos,
adquiridos e mantidos com recursos oriundos da sociedade, há o dever do agente
de empregá-los da melhor forma.
Nesse sentido, podemos enunciar o objetivo central da
Administração de Recursos Materiais:
Maximizar o uso dos recursos materiais na organização
pública, ou seja, evitar desperdícios.
Logicamente, ao considerarmos a gama de atividades envolvidas
na gestão de materiais, esse objetivo pode ser desmembrado em objetivos
secundários, assim listados:
Suprir a organização dos materiais necessários ao seu
desempenho, no momento certo, com a qualidade requerida, praticando preços
econômicos, recebendo e armazenando os bens de modo apropriado, distribuindo-os
aos setores demandantes, evitando estoques desnecessários e mantendo rotinas de
controle efetivas.
Com base nos termos destacados acima, vemos que a gestão de
materiais engloba atividades tais como compras (suprimento), recebimento,
armazenagem, distribuição e controle.
4. Atividades inseridas na Gestão de Recursos Materiais Gonçalves
(2007), de forma didática, agrupa as atividades inerentes à gestão de materiais
em três nichos principais, dispostos de acordo com o seguinte esquema:
A esses nichos, poderíamos adicionar outro: a Gestão de Recursos
Patrimoniais ENAP . Cada um desses nichos contém atividades típicas, que são
arroladas no quadro a seguir:
Ao longo de nosso curso, todas as atividades listadas acima
serão estudadas. Preliminarmente, contudo, veremos como se dá a relação da área
de Gestão de Materiais com os demais setores da organização.
5. Relação da área de Gestão de Materiais com as demais
áreas organizacionais Muitos dos processos conduzidos pela área de Gestão de
Materiais são considerados como dos mais transversais em uma organização. Ao considerar os setores
ou atores organizacionais que, direta ou indiretamente, afetam ou são afetados
pelas atividades da
Administração de Materiais, estamos fazendo uma análise dos
stakeholders envolvidos.
Restringindo-nos ao ambiente interno de uma organização
pública, os principais stakeholders relacionados à atuação da área de Gestão de
Materiais são passíveis de serem assim esquematizados:
Um processo é dito transversal quando perpassa diversas A
relação entre tais setores e a Gestão de Materiais é assim discriminada:
• Cúpula da organização determina a política de gestão de
materiais da organização.
Maximizar ou minimizar estoques? Alienar ou não determinado
bem? Quais licitações devem ser realizadas? Quais os projetos relacionados à melhoria
dos processos de gestão de materiais devem ser patrocinados? Quais as
atividades inerentes à gestão de materiais que devem ser terceirizadas? As
respostas a esses questionamentos devem ser providos pela cúpula do órgão
público;
• Área de recursos humanos provê o ferramental humano à
condução das tarefas de gestão de materiais. Em órgãos públicos, relaciona-se à
verificação de necessidade de pessoal, ao planejamento de sua reposição (via
concursos públicos), bem como à elaboração de cronogramas de treinamento e
capacitação dos envolvidos, entre outras tarefas;
• Área de informática provê o ferramental de sistemas de
tecnologia da informação e comunicação (TIC) que subsidiará as tarefas inerentes
à gestão de materiais. O desenvolvimento e o emprego de sistemas informatizados
de bancos de dados destinados à condução das atividades de administração de
materiais é extremamente usual no setor público brasileiro contemporâneo;
• Clientes internos constituem a razão da existência e da
estruturação da área de Gestão de Materiais. Exercem o papel de demandantes e
de usuários de materiais na organização;
• Área financeira provê os recursos necessários à aquisição
de novos materiais. Sem a comprovação prévia da disponibilidade de recursos
orçamentários , é vedada a condução de licitações em órgãos públicos;
• Auditoria interna verifica se as rotinas e os atos
administrativos protagonizados pela área de Gestão de Materiais mostram-se em
conformidade com os preceitos legais, emitindo, ao final, relatórios de
recomendação.
Após essa familiarização inicial com a definição de Recursos
Materiais e Patrimoniais e com os objetivos da Administração de Materiais,
estamos prontos a dar um passo adiante em nosso estudo. Em se tratando dos
recursos materiais, eles podem ser classificados de diversas maneiras, seja com
relação à sua aplicação dentro da organização, à sua importância em termos
financeiros, ao seu tempo de duração ou a outro critério desejado.
Classificação de materiais
1. Atributos e etapas da classificação de materiais
Nas diversas organizações, sejam elas públicas ou não, os
materiais são classificados segundo os mais diversos critérios. Viana (2000, p.
51) nos traz a seguinte conceituação preliminar:
A classificação é o processo de aglutinação de materiais por
características semelhantes.
Mas qual a razão de classificarmos materiais?
Os dados que advêm da classificação servem de informação
gerencial ao administrador
de materiais, que se torna capaz de voltar sua atenção a
determinada(s) categoria(s) de material(is), ao invés de tentar, em vão, lidar
com uma infinidade de itens de materiais.
Sem uma classificação de materiais bem definida, seria quase
impossível ao gestor de materiais administrar seus estoques.
1.1. Atributos da classificação de materiais
Um sistema de classificação deve possuir determinadas
qualidades (ou atributos) que o torne satisfatório. Para Viana (2000), são três
os atributos de um bom sistema de classificação:
Abrangência = a classificação deve abordar uma série de
características dos materiais, caracterizando-os de forma abrangente. Aspectos
físicos, financeiros, contábeis; são todos fundamentais em um sistema de
classificação abrangente.
Flexibilidade = Segundo Viana (2000), um sistema de classificação
flexível é aquele que permite interfaces entre os diversos tipos de
classificação, de modo a obter uma visão ampla da gestão de estoques. Enquanto
a abrangência tem a ver com as características do material, a flexibilidade
refere-se à “comunicação” entre os tipos de classificação, bem como à
possibilidade de adaptar e melhorar o sistema de classificação sempre que
desejável.
Praticidade = a classificação deve ser simples e direta,
sem demandar do gestor procedimentos complexos. Ainda, deve prover informações
objetivas.
O quadro a seguir traz um exemplo de como tais atributos
relacionam-se a uma situação real de classificação de material:
2. Etapas da classificação de materiais
Além dos atributos de um sistema de classificação, há de se
abordar os etapas(ou princípios) que regem a classificação de materiais, conforme
listados a seguir:
• Catalogação = arrolamento de todos os itens de material
existentes em estoque, permitindo uma ideia geral do conjunto;
• Simplificação = redução da diversidade de itens de
material em estoque que se destinam
a um mesmo fim. Caso existam dois itens de material que são
empregados para a mesma finalidade, com o mesmo resultado – indiferentemente,
opta-se pela inclusão no catálogo
de materiais de apenas um deles. A simplificação é uma etapa
que antecede a padronização;
• Identificação (Especificação) = descrição minuciosa do
material, possibilitando sua individualização em uma linguagem familiar ao
mercado;
• Normalização = estabelecimento de normas técnicas para os
itens de material em si, ou para seu emprego com segurança. Pode-se dizer, da mesma
forma, que a normalização de itens de material é necessária para a consecução
da padronização em sua completude.
Um exemplo de material a ser normalizado são os medicamentos
– a bula é, nesse caso, o produto final da normalização. Para outros tipos de materiais,
a entidade oficial de normalização no Brasil é a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). Há de se ressaltar que nem todos os materiais carecem
de normalização;
• Padronização = uniformização do emprego e do tipo do material.
Facilita o diálogo com o mercado, facilita o controle, permite a intercambialidade
de sobressalentes ou demais materiais de consumo (peças, cartuchos de
impressoras padronizadas, bobinas de fax etc.);
• Codificação = atribuição de uma série de números e/ou letras
a cada item de material, de forma que essa informação, compilada em um único
código, represente as características do item. Cada item terá, assim, um único
código.
Dessa maneira, é por meio da classificação que os itens em
estoque são agrupados segundo determinados critérios, sejam eles peso, forma,
dimensões, tipo, uso etc. O resultado é a otimização dos controles de estoque,
dos procedimentos de armazenagem e da operacionalização dos almoxarifados
(locais de armazenagem dos itens de material, na organização).
Cabe a observação de que, na rotina operacional de uma
organização, nem sempre todas as etapas da classificação de materiais serão
necessárias. Ao adquirir um produto já padronizado, por exemplo, basta sua
especificação e posterior codificação.
2. Tipos (ou critérios) de classificação de materiais
Vários são os tipos de classificação de materiais,
determinados em função das informações gerenciais desejadas pelo gestor de
materiais.
Veremos, a seguir os principais tipos de classificação:
Catalogação Simplificação Especificação Normalização
Padronização Codificação
ENAP 2.1. Possibilidade de fazer ou comprar
Esta classificação tem por objetivo prover a informação de
quais materiais poderão ser produzidos internamente pela organização, e quais
deverão ser adquiridos no mercado. As categorias de classificação podem ser
assim listadas:
• materiais a serem produzidos internamente;
• materiais a serem adquiridos;
• materiais a serem recondicionados (recuperados)
internamente;
• materiais a serem produzidos ou adquiridos (depende de
análise caso a caso pela organização).
A decisão sobre produzir ou adquirir um item de material no
mercado é tomada pela cúpula da organização, considerando os custos e a
estrutura envolvida. Nesse contexto, há duas estratégias possíveis: a
verticalização e a horizontalização:
• Verticalização Produz-se (ou tenta-se produzir)
internamente tudo o que puder.
Essa estratégia foi dominante nas grandes empresas, até o
final do século passado, no intuito de assegurar a independência de terceiros
(ex: General Motors). Mais raramente, há empresas que ainda se esforçam na
verticalização de seus negócios (um exemplo seria a Faber-Castell que, na
última década, esforçou-se na conquista da autossuficiência no plantio de
madeira, matéria-prima na confecção de lápis). No entanto, verticalizar
mostrouse um negócio arriscado, já que se corre o risco da empresa ficar
“engessada”, ou seja, a imobilização de recursos pode tornar o negócio pouco
flexível.
• Horizontalização Compra-se de terceiros o máximo de
itens que irão compor o produto final. Essa estratégia é a grande tendência das
empresas modernas. De modo geral, apenas os processos fundamentais (chamados
core processes) não são terceirizados, por razões de segredos tecnológicos. A
estrutura horizontalizada é típica do Sistema Toyota de Produção, que remete a
terceiros cerca de 75% do processo produtivo7 .
O quadro abaixo sumariza as vantagens e desvantagens dessas
estratégias:
Verticalização
Horizontalização
Vantagens
• Independência de terceiros;
• Maiores lucros;
• Manutenção de segredo sobre
tecnologias próprias.
• Garantia de flexibilidade à empresa;
• Menores custos (não há despesa na criação de estruturas internas).
Desvantagens
• Perda de flexibilidade (a empresa fica “engessada”);
• Maior investimento (maiores custos).
• Perda de controle tecnológico;
• Dependência de terceiros;
• Lucros menores
Por demanda
No caso de materiais não-de-estoque, quando verificada sua
necessidade, inicia-se um processo pontual de aquisição.
Ainda, em órgãos públicos, a aquisição dos materiais
não-de-estoque, nos quais a demanda é imprevisível, é feita, preferencialmente,
mediante o chamado Sistema de Registro de Preços, que será abordado mais
adiante em nosso curso. Observação: As demais classificações (apresentadas a
seguir) são atinentes exclusivamente aos materiais de estoque, que são mantidos
nos almoxarifados das organizações.
2.3. Por aplicação na organização
Em órgãos públicos, com raras exceções, o objetivo final é a
prestação de um serviço. Assim, tendo em vista que, usualmente, não contemplam
processos produtivos, o tipo de material mais comum no setor público é o
material auxiliar (material de expediente, de informática, de limpeza etc.).
2.4. Por periculosidade
Materiais perigosos são aqueles que oferecem risco, em especial
durante as atividades de manuseio e transporte.
Nessa categoria, estão inseridos os explosivos, líquidos e
sólidos inflamáveis, materiais radioativos, corrosivos, oxidantes etc.
2.5. Por perecibilidade
Trata-se de uma classificação que leva em conta o
desaparecimento das propriedades físico-químicas do material.
Gêneros alimentícios, vacinas, materiais para testes
laboratoriais, entre outros, são considerados perecíveis, já que estão sujeitos
à deterioração e à decomposição.
Para esse tipo de material, há de se dispensar especial
atenção quanto aos prazos de vencimento. Em geral, quando compõem estoques,
emprega-se uma sistemática de distribuição dos materiais conhecida por PEPS,
segundo a qual o “primeiro item de material a entrar é o primeiro a sair”.
Estudaremos mais sobre o PEPS no capítulo acerca da gestão de estoques.
2.6. Por importância operacional – a classificação XYZ
A Classificação XYZ avalia o grau de criticidade ou de
imprescindibilidade do item de material nas atividades desempenhadas pela
organização. As classes são assim definidas, conforme Mendes e Castilho (2009):
Classificação por importância operacional
Classe Definição
Classe X Materiais de baixa criticidade, cuja falta não
implica paralisações da produção, nem riscos à segurança pessoal, ambiental e
patrimonial. Ainda, há facilidade de sua obtenção no mercado.
Classe Y Materiais que apresentam grau de criticidade intermediário,
podendo, ainda, ser substituídos por outros com relativa facilidade.
Classe Z Materiais de máxima criticidade, não podendo ser
substituídos por outros equivalentes em tempo hábil sem acarretar prejuízos
significativos. A falta desses materiais provoca a paralisação da produção, ou
coloca em risco as pessoas, o ambiente ou o patrimônio da empresa
Neste ponto, é importante tecer algumas considerações: ENAP
• A classificação por importância operacional provê uma
informação qualitativa acerca da relevância do item de material para a rotina
da organização. Para uma análise mais acurada, esta informação deve ser
associada a uma análise quantitativa, em termos de impacto financeiro do
material. A análise quantitativa ($$) é provida por meio da
Classificação ABC, estudada a seguir;
• Os materiais inseridos na Classe Z são também conhecidos
por materiais críticos. Viana (2000) amplia o conceito de materiais críticos
para aqueles que são merecedores de atenção especial do gestor, por diversos
motivos – sejam eles operacionais, de segurança, econômicos entre outros. Assim,
as razões para a consideração de materiais como críticos podem ser assim
listadas:
- razões econômicas = materiais de custos significativos de
transporte e armazenagem;
- razões de armazenagem, manuseio e transporte = materiais
de alta periculosidade,ou perecíveis, ou, ainda, de elevados peso e dimensão.
- razões de planejamento = materiais de difícil previsão de
consumo, pela organização.
2.7. Por valor de demanda – a classificação ABC
O Método da Curva ABC ou Princípio de Pareto (ou, ainda,
Curva 80-20), é uma ferramenta segundo a qual os itens de material em estoque
são classificados de acordo com sua importância, geralmente financeira. Para
Gonçalves (2007), o principal objetivo da análise ABC é identificar os itens de
maior valor de demanda e sobre eles exercer uma gestão mais refinada,
especialmente por representarem altos valores de investimentos e, muitas vezes,
com impactos estratégicos para a sobrevivência da organização.
Devemos frisar que, na sistemática da Curva ABC, os itens de
material em estoque são usualmente classificados de acordo com seu valor de
demanda, mas existe a possibilidade de adoção de outros critérios, como, por
exemplo, impacto na linha de produção, ou itens mais requisitados pelos setores
da organização.
No método da Curva ABC, os itens em estoque são
classificados em três classes:
• Classe A: itens de maior valor de demanda, em determinado
período;
• Classe B: itens de valor de demanda intermediário;
• Classe C: itens de menor valor de demanda.
Os percentuais aproximados (e não fixos) são os relacionados
a seguir:


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